Sábado, no grupo de teatro, tivemos um momento para analisar, verificar quais as dificuldades, rever idéias já estabelecidas.

Estamos com uma peça a ser produzida, e está sendo difícil, por uma série de razões. Falta elenco, os atores que temos não vem aos ensaios com a frequência desejada, algumas cenas estão desagradando, não temos nenhum patrocinador…e não temos palco confirmado.

Estamos ensaiando essa peça (com várias interrupções e retomadas) há cinco anos. Eu falto pouco às reuniões do teatro, atravessei duas crises do grupo sem deixar de comparecer.

Mas sábado, eu desabei. Chorei na frente do grupo, mimimi eu gosto tanto de interpretar mimimi tem uma coisa tão enorme na minha alma que quer se expressar mimimi eu me sinto frustrada mimimimimi. O grupo, compreensivo e solícito, me amparou, me abraçou.

Mas no grupo nós temos o João. E o João é demais. E ele começou suavemente a falar do caso de um senhor entrevado, que não conseguia mexer nada abaixo do pescoço. E esse senhor contou para o Divaldo Franco (um escritor e palestrante espírita muito conhecido e respeitado em nosso meio) que muita gente chegava pra conversar com ele, e começava a reclamar de dores e empecilhos tão pequenos, que o tetraplégico ficava até mesmo com vontade de rir.

E eu me toquei. Porque eu trabalho com atendimento ao público. E, dois dias antes, eu havia atendido uma freira. Puxando conversa, ela me falou que as férias dela de dois meses estavam no fim, e ela logo voltaria para o trabalho missionário dela, onde ela tinha ficado os últimos onze anos. Eu, curiosa, perguntei onde. Ela respondeu: RUANDA. Eu engoli em seco. “Então você tava lá quando…” “Sim. Eu vi tudo.”

Trabalho difícil, o meu? De jeito nenhum.

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