Tags

, , , ,

Há cinco semanas, estou participando dos Laboratórios de Teatro coordenados pelo Michel Guerrero (ator e diretor influente e consagrado de Manaus).

Divulgado no jornal como um curso gratuito, no pimeiro dia apareceram mais de cem pessoas. Jovens, jovens, tão jovens. Uma revoada de adolescentes de onze até dezoito anos, com aquele discurso que eu conheço tão de perto, “eu amo teatro, minha vida é teatro, minha família não sabe de nada”. Alguns adultos, alguns já experientes.

Os laboratórios não são novidade pra mim. Fazer massagem no outro, segurar o olhar, desenvolver emoção, exercícios de fala e respiração, alongamentos, cenas improvisadas, criar um personagem e apresentar.

O que eu ganhei  – inegavelmente – com estes laboratórios, foi ver o Michel interpretando. Nossa, o Michel é uma força da natureza.

Uma vez, ele estava explicando em qual situação é possível interpretar de costas para o público. “Por exemplo”, ele disse, “se eu sou um sacerdote e faço assim”  e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, virou de costas pra nós, ergueu os braços para o céu e os abriu lentamente, e de repente o palco se tornou um altar sagrado, o ar se encheu de suspiros, e nós todos viramos membros daquela seita, silenciosos, completamente admirados. “Então eu posso ficar de costas, e até mesmo falar de costas, desde que caiba na proposta, entenderam?” E a mística se desfez, o mundo voltou ao normal, era apenas o Teatro Jorge Bonates e suas cadeiras antigas.

Cada vez que ele demonstra uma técnica de interpretação, eu fico maravilhada. Cutuco o meu namorado (que faz parte do mesmo povo do teatro), e fico vibrando: “NOSSA! NOSSA! Ele é muito bom, muito bom, muito bom!”

Com o passar das semanas, a quantidade de participantes diminuiu um pouco. Ontem, ele perguntou: “Tem alguém vindo pela primeira vez?” E ninguém levantou a mão. “Ai, GRAÇAS A DEUS!”

Em um dia que as apresentações se alongaram, passando do horário previsto para término (17h), alguns meninos perguntaram: “Podemos sair antes do final? Temos compromisso…” e o Michel respondeu, com tom leve e divertido e ao mesmo tempo ameaçador: “Podem ir, mas terão meu ÓDIO ETERNO!”

Por isso e por muita coisa que não conseguirei explicar, esses laboratórios me fizeram um bem imenso, e torço pra que se tornem um projeto permanente. Obrigada, Michel.

Anúncios