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Fiz a prova em um bairro tão tão afastado, que pra chegar lá tive de atravessar a barreira rodoviária que fica na AM-010. Fui de mototáxi, pois tive de sair do meu trabalho (que fica na Oceania) ir almoçar em casa (moro na África) e chegar ao local de prova (Júpiter) com antecedência suficiente. Valeu a pena: meu mototaxista é do clube dos cem por hora, e quando cheguei ainda faltavam quarenta minutos para a abertura dos portões.

Todos os meus colegas estavam lá. Meu colegas do curso de teatro do SESC com o Chico Cardoso, meu atuais colegas dos laboratórios com o Michel Guerrero. Meus colegas com quem já trabalhei em peças empresariais. Todo mundo prestando vestibular pra Teatro, e todo mundo com medo de Química.

Fiz a prova de segunda, com 84 questões. Gostei muito da prova, bem elaborada e bem regional (tinha uma pergunta sobre formigas ao molho de tucupi que me fez sorrir). A prova de História incluiu conteúdos de Filosofia (Aristóteles e Rousseau!), e a prova de literatura estava DE-LI-CI-O-SA, com Gregório de Matos sempre atual.

Logicamente, não sabia nada de química – o que me fez refletir sobre currículos, educação, falência do ensino, e eu quase deprimi – e desesperei ao ver uma questão de Física que era de Movimento Uniformemente Variado, eu sabia que era, mas esqueci a porcaria da maldita fórmula S é igual a S0 v0 alfa t ao quadrado sobre dois. Três anos morrendo por causa dessa fórmula fuleira, e quando eu ACHO UMA OCASIÃO PERFEITA PARA USÁ-LA, eu não lembro!

No mais, fiquei feliz. Gabaritei Português, História, Geografia e Inglês, acertei dez de matemática (até eu fiquei surpresa com isso), acertei duas de Física e quatro de Química, e sete de Biologia. De 84 questões, acertei 59.

Hoje, foi a segunda prova, de Conhecimentos Específicos. A prova estava mais pesada, as questões me deixaram em dúvida, mas o resultado foi melhor ainda: de 36, acertei trinta!

O tema da redação era “Infância, Infâncias”, e a proposta era fazer uma dissertação sobre a ideia geral de infância como algo inocente, belo, alegre, tranquilo, e a constatação que cada experiencia de infancia é definida por diversos fatores (sociedade, educação, traumas). Suei pra ter uma ideia de desenvolvimento de texto, e terminei por abordar a evolucao do conceito de infancia (sentir ternura por crianças e amor materno é coisa meio recente, e a avalanche de produtos voltados pra crianças pode ser reflexo que nós só respeitamos a criança enquanto ela se manifesta como CONSUMIDORA). Acho que falei besteira e minha letra é muito feia, mas cá entre nós: redação eu sei fazer… 😀 Vocês não acham?

Então, torço pra que com essa pontuação, uma das dez vagas do meu restrito grupo de cotas (pessoas que já têm diploma de ensino superior) seja minha. É torcer pra que o povo CDF de 17 anos, que o papai chamava de “Os Cobras do Cursinho”, queira fazer coisas mais lucrativas como Medicina ou Odonto, e me deixe em paz com minha vaguinha.

(Estou torcendo loucamente pra ser coleguinha de sala do Michel Guerrero, da Héveni, da Ana Cláudia, do Douglas, do Ives… e dos meus parceiros de vida de artista.)

[Para quem tiver interesse, as provas e gabaritos do Vestibular 2009 UEA estão no site da Vunesp, http://www.vunesp.com.br]

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