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Eu ando cansada, sabe. Não tenho tempo de almoçar, estou montando três textos diferentes pra três discipinas da faculdade, ensaiando uma peça, e ainda trabalho em uma repartição pela manhã. Saio cedo, volto depois das nove da noite, não tenho carro. Fiquei dois meses sem tirar a sobrancelha, por absoluta falta de tempo.

Arrumo minha mochila e tenho que colocar agasalho, guarda-chuva, remédios, escova de dente, pois nunca volto em casa e posso precisar de alguma coisa.

Mas, sabe de uma coisa? Eu estou estudando Ibsen. Brecht. Finalmente pude ler “Eles não usam black-tie”, peça da qual só ouvi falar. Na hora do intervalo, sentamos na lanchonete e conversamos sobre iluminação e cenário, sobre trabalho de voz. Sábado tive que explicar pra minha mãe o que era “fazer aula de corpo”. Estamos planejando uma montagem experimental de Sarah Kane em janeiro.

E eu nunca estive tão próxima do que eu sou de verdade, do que eu sempre quis ser, do que eu imagino pra mim mesma.

Debaixo das sobrancelhas tortas, meus olhos brilham. E é só isso que me salva.

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