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Antes, os telefones tinham quatro dígitos. Apenas quatro. Minha mãe lembra até do telefone da Livraria Carioca, de propriedade do pai dela, meu avô: um-dois-três-meia. O da casa dela, em Belém, quatro-nove-quatro-meia.

Entre os anos 50 e os anos 80, os telefones passaram a ter sete dígitos. Quando eu nasci, não existia celular e os telefones seguiam o padrão que Gabriel o Pensador registrou em sua canção 234-5meia78.

E então, vieram os celulares, e cada vez mais e mais telefones, e privatizaram as teles e repentinamente TODO MUNDO TINHA um telefone fixo e um celular, e houve o acréscimo do oitavo dígito. Os celulares ganharam um 9 como primeiro dígito, os telefones fixos ganharam um 3. Fazer o quê, a gente se acostuma.

E nos acostumamos mesmo. Todo mundo sabe seu número de telefone, normalmente memorizado no formato 1234-5678.

Após o acréscimo do nono dígito aos telefones celulares, a questão que mais me angustia é: como devo ler os números agora?

Usualmente, eu estou lendo algo como: “Bota o nove na frente, né, aí 1234-5678”.

Isso me angustia. Não está certo. Se com oito dígitos, o número era organizado em pares (um dois/três quatro – Cinco seis/sete oito), com nove dígitos o certo deveria ser organizarmos em tríades, não é? Qual o sentido que faz deixar o nove isolado no início, e fazer duas sequencias de quatro algarismos?

Então, estou tentando me aducar para falar os números de telefone no formato nove-um-dois/três-quatro-cinco/seis-sete-oito. Fica mais organizadinho, três trios de algarismos.

Concordam comigo? Digam que eu não sou a única a pensar nisso…

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